As técnicas passivas de conforto ambiental desempenham um papel essencial na arquitetura moderna, e entre elas, o brise se destaca como uma solução altamente eficaz. Este tema foi abordado no Arquicast 234 – Técnicas Passivas de Conforto Ambiental, com a participação de Txai Oliveira, da Sulmetais, e Marcelo Nudel, da CA2 Consultoria. Juntos, eles compartilharam insights valiosos sobre conforto ambiental, acústica, luminotécnica e sustentabilidade em edificações. Neste artigo, vamos explorar a aplicação dessas técnicas, especialmente em um cenário de temperaturas extremas.

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A Importância da envoltória

A envoltória de um edifício, que abrange fachadas, coberturas e janelas, é um conceito fundamental para o conforto ambiental, térmico, acústico e energético da edificação. Se esses elementos não forem bem projetados, técnicas bioclimáticas podem falhar em proporcionar o conforto desejado. É importante que a envoltória assegure um isolamento adequado, através de materiais que controlam a transmissão térmica, como vidros com controle solar e dispositivos de sombreamento, como os próprios brises.

Uma envoltória bem planejada não apenas melhora o conforto dos ocupantes, mas também reduz a necessidade de sistemas de climatização, contribuindo para a sustentabilidade do projeto.

Brises: eficiência e estética

Não é de hoje que os brises são defendidos como uma solução eficaz para sombreamento, contribuindo significativamente para o conforto térmico. Mesmo quando usados de forma estética, eles melhoram a proteção térmica do edifício. Ao resolver questões relacionadas à envoltória, é possível avançar para estratégias como a ventilação natural; no entanto, uma envoltória inadequada pode comprometer sua eficácia.

Conscientização no setor

No Brasil, a consciência sobre a importância do conforto ambiental está crescendo, especialmente em projetos não especulativos, como escolas, hospitais e indústrias. Apesar de poucos escritórios de consultoria em conforto ambiental atuarem com peso, muitos arquitetos estão cada vez mais atentos a essas questões. Essa abordagem permite uma contribuição significativa para o projeto, priorizando o conforto em vez da estética.

Mercado Imobiliário e Normas

A aplicação da ABNT NBR 15.575, em vigor desde 2015, trouxe um foco maior no conforto ambiental no mercado imobiliário residencial. No entanto, a sua implementação ainda é limitada. Já no setor corporativo, a sustentabilidade é frequentemente guiada pela Certificação LEED, que prioriza a eficiência energética, mas não abraça o conforto térmico, favorecendo o uso de vidros de alto desempenho em detrimento de brises.

Brises em edifícios comerciais

Os edifícios comerciais utilizam brises como solução arquitetônica para proteção térmica. Esses elementos, que podem ser horizontais, verticais, móveis ou fixos, controlam a radiação solar e podem ser feitos de diversos materiais. Brises metálicos, por exemplo, dissipam o calor antes que ele atinja a edificação, promovendo um ambiente mais confortável e energeticamente eficiente.

Estratégias alternativas

Quando um projeto não utiliza brises, é necessário compensar com outras estratégias, como o aumento do desempenho do vidro. Embora o uso de materiais reflexivos e fachadas ventiladas contribua para o conforto, nenhum desses elementos pode substituir completamente um brise bem projetado.

Soluções para Retrofit

Em projetos de retrofit, onde se busca renovar edifícios existentes, brises e revestimentos metálicos são soluções ideais. Eles agregam pouca carga estrutural e oferecem ventilação e controle de luminosidade, preservando a funcionalidade estética. Revestimentos perfurados, por exemplo, permitem a entrada controlada de luz sem ofuscamento, sendo uma opção econômica para revitalizar empreendimentos antigos.

A Biblioteca Brasiliana da USP

Este projeto não só preserva a conexão visual com o ambiente externo, mas também demonstra como é possível harmonizar funcionalidade e estética em edificações retrofitadas, valorizando o espaço sem comprometer sua estrutura original.

Os revestimentos, elaborados em chapa perfurada de alumínio de 2 mm, possuem uma área aberta de 32%, o que garante privacidade enquanto proporciona conforto termoacústico. A Biblioteca Brasiliana se destaca como um símbolo de inovação e respeito ao patrimônio, mostrando que modernidade e tradição podem coexistir em perfeita harmonia.

Projeto: Arquitetos Eduardo de Almeida, Mindlin Loeb + Dotto Arquiteto

Fachada da Biblioteca Brasiliana da USP com revestimentos perfurados, destacando o uso de brises para conforto térmico e estética arquitetônica

*Fachada externa da Biblioteca Brasiliana – Projeto Sulmetais

 

Fachada da Biblioteca Brasiliana da USP com revestimentos perfurados, destacando o uso de brises para conforto térmico e estética arquitetônica

*Visão interna da Biblioteca Brasiliana – Projeto Sulmetais

A integração de técnicas passivas de conforto ambiental, como o uso de brises, é fundamental para o sucesso de projetos arquitetônicos. Ao priorizar a envoltória e considerar soluções como os revestimentos metálicos, é possível criar edifícios mais confortáveis e sustentáveis, que atendam às necessidades contemporâneas.

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